Não és navegador mas emigrante Legítimo português de novecentos Levaste contigo os teus e levaste Sonhos fúrias trabalhos e saudade; Moraste dia por dia a tua ausência No mais profundo fundo das profundas Cavernas altas onde o estar se esconde
II
E agora chega a notícia que morreste E algo se desloca em nossa vida
III
Há muito estavas longe Mas vinham cartas poemas notícias E pensávamos que sempre voltarias Enquanto amigos teus aqui te esperassem –
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira Não como filho pródigo mas como irmão prudente E ríamos e falávamos em redor da mesa E tiniam talheres loiças vidros Como se tudo na chegada se alegrasse Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades — Grandioso vencedor e tão amargo vencido – E havia uma veemente emoção em tua grave amizade E em redor da mesa celebrávamos a festa Do instante que brilhava entre frutos e rostos
IV
E agora chega a notícia que morreste A morte vem como nenhuma carta
Imaginem um adolescente vindo do interior onde os locais maiores pouco mais tinham de mil almas e aterrar nesta Lisboa.
Havia que integrar e assimilar novas vivencias, mesmo trazendo alguns estudos e referencias pessoais.
Mas o frenesim que se vivia a seguir ao 25 de Abril, nada impedia, muito menos o sotaque beirao, carregado como o de outras provincias.
E la me fui ambientando, ate ficar rendido. As festas religiosas das aldeias, nada tinham a ver.
E meses decorridos la fui ao saudoso Pavilhao de Cascais, mais alegre ainda que o Estadio da Luz.
A musica era outra. The Motors, conhecia de nome tal como os Ten Years After, com aquele louco baterista chamado Barry Wilson, por nao esquecer as pulseiras...
Bateu forte e senti arrepios nem sei de que, apenas foi fabuloso.
Entretanto formamos fruto da vivencia e estudo, um grupo de amigos e animados e vivos como eramos, entre os cinco compramos um "carrao", Opel Kapitan de seis cilindros, tipo banheira americana, tocando a cada um quatro contos, quase vinte euros agora.
O que tinha a carta conduzia e la fomos conhecendo o "nosso" Portugal.
Ate que os Motors, voltaram a Cascais e la fomos no "gigante" americano. Grande concerto!!!
Acabado, dois em cima do tejadilho, na boa, tudo a cantar, ate a policia mandar encostar e dormirmos na esquadra.
Mesmo assim "acordamos" a cantar Airport, como se nao tivessemos um aviao apreendido no parque.
Hoje, contra a enorme America, o peso da tua grandeza e historia feita de coragem, bravura e sacrificios, voltara a erguer bem alto o nome de Portugal!