quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Para onde vais minha aldeia...



O tempo foi levando o teu encanto, esquecido por quem tinha de tal preservar.
Todos somos culpados,  nao batalhamos pelo que temos em memoria, dos nossos "mais velhos", nem deixamos pergaminhos...por conveniencia organizada a que cobardemente nos sujeitamos.

A uniao da terra, apenas se manifesta na unanimidade dos que vao ficando para tras, mais contentes que consternados, por o amigo ter ganho a corrida e primeiro partir...
Assim vai definhando um lugar bonito, dividido por "porcarias" vaidosas de gentes que sabem e nao querem ou querem e nao sabem, sem pararem um minuto na vida e...




...aqui, o tempo nao voltara atras, todos serao iguais, sem bolsa de valores, fortunas, raivas...
Num local bonito que os olhos tapados nao irao apreciar, tiveram muito tempo.


Aqui jaz a historia da minha terra, de mais vencedores que vencidos, mas acredito, em paz com eles proprios.
Que seja dignificada a sua memoria e descansem em paz!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Grãos de memórias

Que tal como na foto, vão sendo varridas por uma simples vassoura de giesta apanhada nas imensas matas de pinhal, circundantes da aldeia.
As giestas continuam, mas o grão de centeio ou trigo,morreu nestes campos outrora famosos pela sua abundância e qualidade; vai sobrando algum milho, que já não é moído no "Moinho da Carvalheira". Se o tenho no coração...

 


O Moinho da Carvalheira, faz parte real da minha meninice, qual território sagrado dos Incas, onde a natureza se agitava naquele local recôndito, impregnado de lobos, corujas, raposas e aves de rapina, procurando o alimento para as crias, tal qual íamos esmagar o grão para o pão-nosso de cada dia. Adiante, os Cuvos, que mal produzia um raquítico milho, mas saborosos chicharros. Subindo a encosta para o lado direito, lá estava o imponente Castelo e do outro lado o Castro.No meio da encostava havia uma nascente que não secava, de dia para o homem de noite para os bichos.
Junto ao moinho, as Dornas e a sua gruta de água cristalina, aonde se sentia o mundo na sua perfeição absoluta! Chegava com o meu pai, as vacas arrastando o carro, chiando sobre o peso do grão e o difícil trilho.Teria seis anos de idade, mas a expectativa de passar o dia e a noite neste local mágico, acelerava o coração. Carro descarregado e vacas a pastar na orla da ribeira com o coaxar das rãs e o bailado das libelinhas, era hora de ir roubar umas ameixas ao Sr. Daniel, cá mais abaixo, encher os bolsos e a boina.
A seguir, uma vara de amieiro, um fio de nylon mais um anzol ferrugento com gafanhoto a servir de isco, sempre se apanhavam umas bogas tontas que se viam a olho nu; numa água que era brilhante. As maiorzitas serviam para grelhar e ajudar a bucha da noite, na fogueira acesa no canto esquerdo interior da moinho, enquanto a mó carrasca, esmagava o grão, chiava, esmagava, acompanhada pelo piar do mocho ali ao perto.
Enquanto o meu pai vigiava toda a noite a tarefa, eu aconchegava-me junto a fogueira, enrolado numa manta trazida de casa, e adormecia a sonhar com as mouras encantas ali tão perto.
Manhã cedo o meu pai acorda-me, carro já carregado com as taleigas da farinha, vacas junguidas, prontos para abalar, apenas faltava o caldeiro de lata que pendurou num fogueiro. O chiar do carro sobre as pedras na subida, faziam levantar as perdizes matinais, acordar os melros na ribeira e alvoroçar os tajasnos. Já em cima, um coelhito atarantado, apenas se desviou das vacas, pois eu ia sentado na frente do carro e o meu pai nas traseiras. Se tivesse uns custilos e tempo, aqueles tajasnos e mais que fora, não escapavam.
Mais a frente cruzamo-nos com outro carro de bois, que vinha para a moagem, era o dia que lhe pertencia em sortes (não me recordo quem era).


(que me desculpe o Blog dos Forninhenses por ter ido "roubar" este  comentário que fiz  na etiqueta, tradições em extinção, dois anos atrás). Bem hajam,


sábado, 6 de setembro de 2014

Mimos de Forninhos

Pequenas coisas que não carecem de palavras e "roubei" aos cuidados da minha mãe. São para vós, trazidas das férias. Merecem muito mais...


Acarinhadas todos os dias.


Estas é a segunda vez que florescem este ano.


Encostada a um pilar de granito da parreira, parece mostrar a beleza 
das suas pétalas protegidas.


Então e eu, pergunta a minha mãe.


Olhe para cima, da varanda vê tudo.


Esta é especial...

sábado, 30 de agosto de 2014

FAZ UM ANO...

Um ano que passou num ápice e no qual não pude acompanhar esta "cria" tal como gostaria e imaginava.
O Nascendo não morreu e tal como esta atenta loba, irei alimentar a cria de forma mais atenta, embora o sentimento permaneça, de forma redobrada.
Mesmo assim valeu a pena e não me arrependo!
Um Bem Haja a todos pela forma carinhosa e amiga como por aqui passaram. Assim sendo, vale a pena continuar.
Até breve.


terça-feira, 22 de julho de 2014

VOU DE FERIAS!

AI QUE CHEIRINHO


Estes gaiatos mais novos, correm que se pelam...
Alegria, descanso e divertimento sabe bem a todos, portanto toca a acelerar, tempo de ferias!
Boas, do fundo do coracao. 

XicoAlmeida

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Hoje repousa no panteao nacional.






I
Não és navegador mas emigrante
Legítimo português de novecentos
Levaste contigo os teus e levaste
Sonhos fúrias trabalhos e saudade;
Moraste dia por dia a tua ausência
No mais profundo fundo das profundas
Cavernas altas onde o estar se esconde
II
E agora chega a notícia que morreste
E algo se desloca em nossa vida
III
Há muito estavas longe
Mas vinham cartas poemas notícias
E pensávamos que sempre voltarias
Enquanto amigos teus aqui te esperassem –




E assim às vezes chegavas da terra estrangeira
Não como filho pródigo mas como irmão prudente
E ríamos e falávamos em redor da mesa
E tiniam talheres loiças vidros
Como se tudo na chegada se alegrasse
Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades
— Grandioso vencedor e tão amargo vencido –
E havia uma veemente emoção em tua grave amizade
E em redor da mesa celebrávamos a festa
Do instante que brilhava entre frutos e rostos
IV
E agora chega a notícia que morreste
A morte vem como nenhuma carta

Sophia de Mello Breyner Andresen (1989)