sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Parabens, filhota.

Como sabe bem ver este teu ar feliz...
Parece de olhos fechados, estares na clinica Sao Gabriel, na Alameda a vir ao mundo.


Vendo-a Sorrir. (A minha filha) , trinta e dois anos passados...

Filha, quando sorris, iluminas a casa 
          Dum celeste esplendor. 
A alegria é na infância o que na ave é asa 
          E perfume na flor. 

Ó doirada alegria, ó virgindade santa 
          Do sorriso infantil! 
Quando o teu lábio ri, filha, a minha alma canta 
          Todo o poema de Abril. 

Ao ver esse sorriso, ó filha, se concentro 
          Em ti o meu olhar, 
Engolfa-se-me o céu azul pela alma dentro 
          Com pombas a voar. 

Sou o Sol que agoniza, e tu, meu anjo loiro, 
          És o Sol que se eleva. 
Inunda-me de luz, sorri, polvilha de oiro 
          O meu manto de treva! 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

E agora desce o frio...

Andamos arrenegados, um com o outro.


Faz um ano esta foto!
O Tio  Porfirio Forra que ja mostramos no blog dos forninhenses.
 Primo direito da minha mae e o primeiro a aparecer em tudo o que era esta tradicao de amigos e familia, tal como esta em frente a casa da minha "velhota".  Sempre gostou tal como eu vou fazendo de ter este encosto. Era dia de vindima e nada melhor que esperar sobre a pequena latada.
Sendo o meu falecido pai vivo, entraria na cozinha, mas certo que "estamos bem aqui fora".
"Vai ver se o lagar esta bem tapado"  ou a tua mae ja tratou disso...".
O principio do fim...
Dizia ele "rapaz, olha que em menos de quinze dias temos de ter agasalho...".
E falava de onde se podiam encontrar tortulhos, bons marmelos de lameiros abandonados e mais tarde matas de miscaros.
Tal como "Se vais armar aos tralhoes, tem cuidado com os nabos semeados, pois chegas a casa e tens sermao e e missa armada..."
Este Senhor tem uma rua que bem o homenageia, a Rua do Poeta.
Mas sabe bem que ando arrenegado...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Para onde vais minha aldeia...



O tempo foi levando o teu encanto, esquecido por quem tinha de tal preservar.
Todos somos culpados,  nao batalhamos pelo que temos em memoria, dos nossos "mais velhos", nem deixamos pergaminhos...por conveniencia organizada a que cobardemente nos sujeitamos.

A uniao da terra, apenas se manifesta na unanimidade dos que vao ficando para tras, mais contentes que consternados, por o amigo ter ganho a corrida e primeiro partir...
Assim vai definhando um lugar bonito, dividido por "porcarias" vaidosas de gentes que sabem e nao querem ou querem e nao sabem, sem pararem um minuto na vida e...




...aqui, o tempo nao voltara atras, todos serao iguais, sem bolsa de valores, fortunas, raivas...
Num local bonito que os olhos tapados nao irao apreciar, tiveram muito tempo.


Aqui jaz a historia da minha terra, de mais vencedores que vencidos, mas acredito, em paz com eles proprios.
Que seja dignificada a sua memoria e descansem em paz!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Grãos de memórias

Que tal como na foto, vão sendo varridas por uma simples vassoura de giesta apanhada nas imensas matas de pinhal, circundantes da aldeia.
As giestas continuam, mas o grão de centeio ou trigo,morreu nestes campos outrora famosos pela sua abundância e qualidade; vai sobrando algum milho, que já não é moído no "Moinho da Carvalheira". Se o tenho no coração...

 


O Moinho da Carvalheira, faz parte real da minha meninice, qual território sagrado dos Incas, onde a natureza se agitava naquele local recôndito, impregnado de lobos, corujas, raposas e aves de rapina, procurando o alimento para as crias, tal qual íamos esmagar o grão para o pão-nosso de cada dia. Adiante, os Cuvos, que mal produzia um raquítico milho, mas saborosos chicharros. Subindo a encosta para o lado direito, lá estava o imponente Castelo e do outro lado o Castro.No meio da encostava havia uma nascente que não secava, de dia para o homem de noite para os bichos.
Junto ao moinho, as Dornas e a sua gruta de água cristalina, aonde se sentia o mundo na sua perfeição absoluta! Chegava com o meu pai, as vacas arrastando o carro, chiando sobre o peso do grão e o difícil trilho.Teria seis anos de idade, mas a expectativa de passar o dia e a noite neste local mágico, acelerava o coração. Carro descarregado e vacas a pastar na orla da ribeira com o coaxar das rãs e o bailado das libelinhas, era hora de ir roubar umas ameixas ao Sr. Daniel, cá mais abaixo, encher os bolsos e a boina.
A seguir, uma vara de amieiro, um fio de nylon mais um anzol ferrugento com gafanhoto a servir de isco, sempre se apanhavam umas bogas tontas que se viam a olho nu; numa água que era brilhante. As maiorzitas serviam para grelhar e ajudar a bucha da noite, na fogueira acesa no canto esquerdo interior da moinho, enquanto a mó carrasca, esmagava o grão, chiava, esmagava, acompanhada pelo piar do mocho ali ao perto.
Enquanto o meu pai vigiava toda a noite a tarefa, eu aconchegava-me junto a fogueira, enrolado numa manta trazida de casa, e adormecia a sonhar com as mouras encantas ali tão perto.
Manhã cedo o meu pai acorda-me, carro já carregado com as taleigas da farinha, vacas junguidas, prontos para abalar, apenas faltava o caldeiro de lata que pendurou num fogueiro. O chiar do carro sobre as pedras na subida, faziam levantar as perdizes matinais, acordar os melros na ribeira e alvoroçar os tajasnos. Já em cima, um coelhito atarantado, apenas se desviou das vacas, pois eu ia sentado na frente do carro e o meu pai nas traseiras. Se tivesse uns custilos e tempo, aqueles tajasnos e mais que fora, não escapavam.
Mais a frente cruzamo-nos com outro carro de bois, que vinha para a moagem, era o dia que lhe pertencia em sortes (não me recordo quem era).


(que me desculpe o Blog dos Forninhenses por ter ido "roubar" este  comentário que fiz  na etiqueta, tradições em extinção, dois anos atrás). Bem hajam,


sábado, 6 de setembro de 2014

Mimos de Forninhos

Pequenas coisas que não carecem de palavras e "roubei" aos cuidados da minha mãe. São para vós, trazidas das férias. Merecem muito mais...


Acarinhadas todos os dias.


Estas é a segunda vez que florescem este ano.


Encostada a um pilar de granito da parreira, parece mostrar a beleza 
das suas pétalas protegidas.


Então e eu, pergunta a minha mãe.


Olhe para cima, da varanda vê tudo.


Esta é especial...

sábado, 30 de agosto de 2014

FAZ UM ANO...

Um ano que passou num ápice e no qual não pude acompanhar esta "cria" tal como gostaria e imaginava.
O Nascendo não morreu e tal como esta atenta loba, irei alimentar a cria de forma mais atenta, embora o sentimento permaneça, de forma redobrada.
Mesmo assim valeu a pena e não me arrependo!
Um Bem Haja a todos pela forma carinhosa e amiga como por aqui passaram. Assim sendo, vale a pena continuar.
Até breve.