domingo, 9 de novembro de 2014

Parabens por abrires janelas da nossa aldeia...

Pequeno espaco este meu, mas que com muito carinho, cada dedo de uma mao, agradece e te sauda. Na tua generosidade abnegada, no teu sacrifico, na tua inteligencia e amor a uma aldeia que "in loco" por interesses te tentaram menosprezar. Sei do que falo, mas quem ficara na memoria, serao os pergaminhos escritos na tua "sebenta".

Fica para ti esta melodia sob a forma de tributo, talvez gostes...
Para mim, guardo a esperanca de contigo voltar ao blog dos forninhenses.
Um beijo.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Arrumar a trouxa

Corre o Outono para o Inverno de modo louco. Apressado e mal educado sem deixar o tempo ter tempo...



Ainda se carregam o que resta das sementeiras as costas. Como ele corre o Outono. Deixe que ao menos se va apanhar a lenha, se agasalhe a comida para as cabras e ovelhas, as couves para as pitas...e um resto de miscaros.
Logo cai a geada e o arreliar da molestia dos ossos.
Mas como diz o Zeca, ja chega o tempo de arrumar a trouxa e ...





domingo, 26 de outubro de 2014

No sino da minha aldeia

Daqui se diz quem casou
Daqui se diz quem morreu
Daqui se diz donde sou
Daqui se diz quem nasceu



Ele, o sino imponente, via a aldeia por entre colunas de granito.
Tinha a obrigacao de comunicar dor e felicidade.
O sino da minha aldeia.
Volta e meia vai tocando algumas coisas antigas, o sino da minha aldeia.
Por vezes olhamos para ele, mudo e calado.
 O que tem...
Talvez saudade do tempo em que acarretava gentes para a missa, aldeia inteira para apagar os fogos no "Ai Deus nos acuda...". 
Tocava no baptizado, os padrinhos bem vestidos, criancas imaculadas, botavam os pergaminhos de gentes simples e crentes, sempre fora com as nossas gentes. Dizia o sino da aldeia.
Repenicavam em dias festivos, Santa Marinha, Senhora dos Verdes. Nunca gostei dos Finados.
Os mortos nao mereciam tantas badaladas cruas...
E a gente para arreliar, menos homens que garotos, para ali iamos tocar, com o povo em alvoroco.
No sino da minha aldeia.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Parabens, filhota.

Como sabe bem ver este teu ar feliz...
Parece de olhos fechados, estares na clinica Sao Gabriel, na Alameda a vir ao mundo.


Vendo-a Sorrir. (A minha filha) , trinta e dois anos passados...

Filha, quando sorris, iluminas a casa 
          Dum celeste esplendor. 
A alegria é na infância o que na ave é asa 
          E perfume na flor. 

Ó doirada alegria, ó virgindade santa 
          Do sorriso infantil! 
Quando o teu lábio ri, filha, a minha alma canta 
          Todo o poema de Abril. 

Ao ver esse sorriso, ó filha, se concentro 
          Em ti o meu olhar, 
Engolfa-se-me o céu azul pela alma dentro 
          Com pombas a voar. 

Sou o Sol que agoniza, e tu, meu anjo loiro, 
          És o Sol que se eleva. 
Inunda-me de luz, sorri, polvilha de oiro 
          O meu manto de treva! 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

E agora desce o frio...

Andamos arrenegados, um com o outro.


Faz um ano esta foto!
O Tio  Porfirio Forra que ja mostramos no blog dos forninhenses.
 Primo direito da minha mae e o primeiro a aparecer em tudo o que era esta tradicao de amigos e familia, tal como esta em frente a casa da minha "velhota".  Sempre gostou tal como eu vou fazendo de ter este encosto. Era dia de vindima e nada melhor que esperar sobre a pequena latada.
Sendo o meu falecido pai vivo, entraria na cozinha, mas certo que "estamos bem aqui fora".
"Vai ver se o lagar esta bem tapado"  ou a tua mae ja tratou disso...".
O principio do fim...
Dizia ele "rapaz, olha que em menos de quinze dias temos de ter agasalho...".
E falava de onde se podiam encontrar tortulhos, bons marmelos de lameiros abandonados e mais tarde matas de miscaros.
Tal como "Se vais armar aos tralhoes, tem cuidado com os nabos semeados, pois chegas a casa e tens sermao e e missa armada..."
Este Senhor tem uma rua que bem o homenageia, a Rua do Poeta.
Mas sabe bem que ando arrenegado...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Para onde vais minha aldeia...



O tempo foi levando o teu encanto, esquecido por quem tinha de tal preservar.
Todos somos culpados,  nao batalhamos pelo que temos em memoria, dos nossos "mais velhos", nem deixamos pergaminhos...por conveniencia organizada a que cobardemente nos sujeitamos.

A uniao da terra, apenas se manifesta na unanimidade dos que vao ficando para tras, mais contentes que consternados, por o amigo ter ganho a corrida e primeiro partir...
Assim vai definhando um lugar bonito, dividido por "porcarias" vaidosas de gentes que sabem e nao querem ou querem e nao sabem, sem pararem um minuto na vida e...




...aqui, o tempo nao voltara atras, todos serao iguais, sem bolsa de valores, fortunas, raivas...
Num local bonito que os olhos tapados nao irao apreciar, tiveram muito tempo.


Aqui jaz a historia da minha terra, de mais vencedores que vencidos, mas acredito, em paz com eles proprios.
Que seja dignificada a sua memoria e descansem em paz!