segunda-feira, 9 de março de 2015

O ZECA MATOU MEDOS...

E TANTO LUTOU CONTRA VAMPIROS...





Mal parecia gostar desta "gente" que cantava contra o "respeito" devido ao estado.
Ficava mal e era perigoso. Ainda...
Vim para Lisboa da aldeia, no período quente da Revolução. Nao fiquei atrapalhado, confesso, mas o trânsito e as avenidas...vinha apenas habituado a ruas com nome, claro de uma ou outra vila, que as da minha terra eram pela casa de fulano e cicrano.
Nunca ninguém se perdeu, convenhamos.
Guardo para mim ainda agora e com a mesma intensidade a maneira melodiosa com que foi  ocupando e sem querer substituir as cantigas de embalar da minha mãe, aquelas baladas quentes e conquistantes que ainda tal continuavam aquando o vi pela última vez em 83 no Coliseu, doente e um "monstro" de homem.


Fazes falta, camarada, companheiro.

VIVA O ZECA!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Vou ali e volto...

Vens cheio de manias
Agora
Sem remorsos
Fostes embora sem me conhecer
Agora que voltas
Teu amigo Farrusco
Que contas, afinal
Aquelas que contas
Que era meu pai
Assim sem mais nada


Vou ali e volto
Talvez sinta o cheiro
Que aqui andou
De coisa contada
Boa e ruim
Volto daqui a nada
Espera por mim
Depois conta
Para mim...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Olha, Farrusco...

Olha Farrusco, um dia vamos ser presos por tantas tropelias.
Qual o que se nada fizemos, rosnou...
Pois nao, disse falando com ele...rafeiro de merda!


Tinhamos aprendido a dominar as galinhas e ganhar respeito invisivel da urbe local, temerosa pois a besta malefica andava sem cabresto, sapateando nas calcadas em busca de almas perdidas e quem pecados tinha, mijava nas camas de palha...o fim do mundo!
As pessoas tinham medo, muito por supersticao e acho que o Farrusco falava comigo ou eu com ele.
Uma dupla desnivelada pois se lhe nao desse comida, ainda hoje nao tinha estas atrites, seu mal agradecido!
Resmunga como quiseres tenho provas das tuas carracas, e de tantas doencas. Nao, raiva nunca tiveste, mas ...digamos, foste sempre um homem.
Fica quieto, pronto, afinal tenho culpa, dois tolinhos com saudades de coisas.
Contas tu ou conto eu...
Sim, ve a vergonha que comecamos nas galinhas e fomos por aqui a fora.
Fomos acima ao galinheiro do tio Luis. As galinhas andavam no choco e nao foras tu (parabens e obrigado) a crista de ouro tinha hoje um olho chincado!
Deus no perdoe pois mesmo assim roubamos ...ves que me desorientastes pois roubar e pecado...alguns ovos que escondemos. No nosso cantinho, claro!
Pela manha, o burburinho, fui roubado, fui roubado...do dono claro, pois a mae galinha aquecia sem por tal dar conta os ovos do ninho.
Agora abro a boca, foste tu Farrusco que nas palhas meteste meia duzia de seixos a fingir...
Havia que esconder a prova do crime e nada melhor que o ribeiro dos moncoes, ali ao lado, perigoso mas urgente.
A palha foste tu acarretar ao pateo do tio Esmael, roubada, claro, nao fossemos ladroes de corpo inteiro...
Mas um dia e quando a gente andava noutras aventuras, veio o milagre!
Havia patos a nadar no ribeiro...
Nos dois sabemos o que aconteceu, vamos para o nosso cantinho, anda la, rafeiro bonit..asqueroso!




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Vamos contar um conto...

Tinha tanta coisa naquela cabeca tonta de crianca, aventuras e desventuras que pensava que as podia escrever, embora escondido. Escondido pela malandrice, pois claro, feitas sem piedade e ainda por cima com o comparsa Farrusco, que me soltava a letra, mais a preceito que eu escrevia.
Boa dupla, um nem ladrava, rosnava, o outro nao escrevia, rasgava. 


Deixa Farrusco, ninguem sabe quem somos e tu ficas calado, por vezes acho que falas demais pois a partir de hoje vamos contar algumas das boas. Nao rias malandro...pior que eu!
Tu nao ajudavas nas tarefas maleficas, nao refiles, claro que ficavas de atalaia. Pronto!
Olha, vamos contar...
Daquela vez tinha caido um nevao la na aldeia. Melhor, continuava a cair e tinhamos mesmo assim de arreliar alguem e com as pessoas encolhidas em casa, nada melhor que o vizinho proximo e se melhor o pensamos, melhor o fizemos.
Para de me lamber Farrusco, parece que estas a reviver. Estamos velhos os dois, mas valeu a pena, caramba.
Enchemos e sem ninguem dar conta, na palheira um espantalho de palha que tinhamos roubado uns dias antes numa horta, com chapeu e tudo. O do meu pai e por ele paguei no lombo...
Nao te rias, rafeiro!
Colocamos o espantalho mesmo frente a porta de entrada do vizinho...ocultemos o nome, com um cordel amarrado aos pes, de modo a que um simples esticao o tombasse.
Era um daqueles dias de inverno, como poucos e o vizinho nem o galinheiro guardava, pudera as galinhas nao iam sair mas nos, como se tu fosses gente, enfim, podiamos la entrar e roubamos duas.
A neve ja nos chegava acima dos pes, patas para ti, nao te empertigues cao velho...
E chegou a coisa mais abominavel.
Ja tinha aprendido a colocar as galinhasa dormir, na boa.
Bastava embalar a senhora carinhosamente e levantar a asa direita e dentro dela enfiar a cabeca e depois, embalar, embalar...ja estava a sonhar com o galo...
Com a outra igual. Ambas deitadinhas na neve, mesmo em frente da porta de entrada do vizinho.
Farrusco, tu seguras o cordel e quando eu disser, puxas, agora vou atirar umas pedras na porta.
Tal foi. O dono abre a porta incomodado e ao ver as galinhas pensadas mortas, Deus nos acuda.
Tu Farrusco ficaste em euforia, parecia gostares e puxas o cordel e o nosso querido vizinho ao sentir que lhe vinha em cima um homem, desmaiou.
Ficamos por aqui e agora, Farrusco, pois se dissermos que veio o povo em peso...
Aquele nosso cantinho, ninguem descobre.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

DUO OURO NEGRO


Por acaso e enquanto trabalhava noutras coisas, fui parar sem olhar a televisao, a algo que me prendeu.
Ela debitava mansinho, um tipo de melodia que ali estava sem ser convidada.
E perdi ainda bem aquilo a que me propunha.
Essa fica para amanha...


Caramba, estes dois trazem memorias...
E ainda ecoa a cantiga de vou levar te comigo...teimosos!!! 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Assim a serra vai morrendo...

Está a ficar moribunda a "minha" serra". 
Que terá ela afinal, sempre tão forte a conheci, nasceu de uma velhice milenar dos avós dos seus penedos, abanou as fraldas dos seus pinheiros, dançando aos cânticos das ceifas do centeio, ralhando com os chiar dos carros de bois madrugadores, tal como os coelhos e perdizes em alvoroço no lusco fusco... 
Se nem os resineiros a incomodam com o bater das latas pela hora da sesta e nem tem de abrigar como mãe as alcateias de lobos...
Afinal, que tens tu "minha" serra de S. Pedro que tanto me deste da tua beleza e em silêncios puros, as palavras eram apenas o cheiro das urgueiras e giestas floridas, cantadas pelo esvoaçar dos milhafres?
Quem sabe não voltarás a ouvir as campainhas dos rebanhos de ovelhas e o grito do pastor "Acudam que é lobo!".
Estás doente, mesmo, não só pela saudade, mas de tristeza profunda por profanarem a tua delicadeza de Senhora.


Depois o céu abriu-se num sorriso
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso
(Miguel Torga)


Estás à venda, a retalho com se não fosses mais valorosa que o ouro. Perderam por ti respeito em proveito e usura pessoal, mas deixa que te diga se isso te anima um pouco...ainda te têm um medo atroz!
As coisas são feitas pela calada, tal como noutro tempos, quando os bandoleiros se abrigavam em ti, invadindo a tua casa, escondidos.
Mas tem calma, já passas-te por tanta coisa...

Fotos: http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.pt/