quarta-feira, 30 de março de 2016

MANIAS DA VELHA...

De minha senhora mae, que por vezes se aborrece aquando a gente se alheia dos seus contos narrativos, pela teimosia da fala que nao cala. Uma matraca, exigente e singela.
Um amor...
Lembras, lembras e lembras...
Fulano matou cicrano, por causa do regadio...
Lembra e obriga a lembrar, a mim, o dia em que um raio quase nos matou, cinquenta anos atras...


Tinha sete anitos. Por defronte da casa virada para lameiros e serranias, estava uma oliveira, esta!
Raio do raio que a esgachou de alto a baixo e provocou um incendio medonho.
Acudiu o povo ao toque dos sinos.
Dizia a tradicao que passados tantos anos, o raio viria para a superficie sob a forma de uma relha de um arado...
Gosto de me embalar nestes nossos misterios, por ambos.
Nas manias da minha "velha" em busca da relha de um raio e por tal ali andei no dia seguinte ao Domingo de Ramos, a sachar.  

terça-feira, 8 de março de 2016

O CHORO DO LOBO

Ouvia, amedrontado varios anos atras pelo que deles contavam, uns assassinos, mas nunca em tais vislumbrei lagrimas. Era por norma escuro e se tais tinham, tais guardavam. Porventura no momento em que os nossos  se acomodavam em suas casas, depois de recolhido e ordenhado o rebanho. Porventura fraco, melhor, mais remediado que o deles que os rebanhos eram escassos e cada vez mais mal nutridos.
Afinal e por tal, a coisa estava equilibrada, se a presa rareava, o predador ia morrendo de fome...   


As alcateias famintas, tais como regimentos sem comandante, deambulavam ao Deus Dara, cada qual por si.
Mesmo depois de parirem e os seus machos em procura de alimentos tardarem a regressar, coisa que muitos nao conseguiam, subiam ao ponto mais alto das penedias alcantiladas e mesmo fracas, faziam ecoar pelas fragas mais reconditas, o seu choro lancinante.
O apelo em gesto de despedida, pois ao longe os montes fumegavam pelo abrasar dos incendios. Aquele maldito temor que os podia encurralar e aos que nele estavam envolvidos.
Afinal todas as partes...
Anos depois, mal  deles se ouvia falar, como que lembrados na saudade, ate que recentemente e depois do nobre trabalho de instituicoes, tal como A Lobo, na sua  reintroducao no seu habitat natural, volta a ser abominavel e mal vindo por dizimar rebanhos, escassos como eles...
Talvez e por tal, o Lobo continue a chorar, ate estar extinto!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Tobias, irmao do Miseravel

O Farrusco ainda faz das dele, o Miseravel mal se arrasta e as filhas, bonitas e caprichosas, migraram  para as bandas de Castendo sendo agora cadelas vedetas da noite. Diz diz ele que o envergonham na sua e em parte, nobre linhagem castelhana. Devaneios vividos em terra de "Nuestros hermanos", penso eu agora que o vou conhecendo e por de mim precisar, se solta de lingua de fora, escorrendo avidamente por uma guloseima a que nao resisto em dar. Adora os coiros do presunto que degusta a compasso do fumar do meu cigarro, calados ambos sob o alpendre.
E assim ficamos perdidos no tempo fresco, ainda, pois a Pascoa este ano vem cedo.
Sinto que quer falar, eu ansioso por o ouvir, pois no seu olhar toldado em final do dia, sentia em mim um estranho frenesim, uma especie de algo ruim que iria ser ladrado, afinal ele nao andava bem, como que se queria despedir do mundo, mas com remorsos de algo. Olhou para mim com aquela languidez de culpa e uma lagrima mal escondida que lhe molhava os bigodes sacudidos e contou...   

Tobias

Correu muita agua sob as pontes e por tal tantos anos que talvez nem recordes o dia em que um senhor parou o carro de bois por debaixo da casa dos teus pais e te perguntou se querias um cachorrito que tinha encontrado. Andava perdido nas matas e eram na altura tantos os pastores e gados, fosse alguem saber de quem seria, alem do mais era um milagre estar vivo, pois os lobos andavam esfomeados Talvez nao te lembres, devias ter pela altura meia duzia de anitos e o cao gostou de ti e era um regalo ver a brincadeira entre ambos. Eu ainda andava por aqui na nossa casa, embora jovem, mais velho que o cachorro, sentia por ele uma coisa especial, porventura por tambem ter sido acolhido. Na semana seguinte, vesperas da pascoa, o forno dos teus pais coziam biscoitos e bolos de azeite, uma azafama. O calor que emanava, aliada aos cheiros, eram do melhor do mundo, sendo que volta e meia atiravam os restos dos petiscos de carne. Boa gente que partilhava o que tinha.

Haviam enfeitado a entrada da casa, o patio com lirios e alecrim pois no dia seguinte, Pascoa, haveria a visita pascal e tudo devia estar a preceito. Trabalho feito e manjares arrecadados, as pessoas foram para casa. Tu, cao  pequenote, estavas encavalitado em cima do muro, assustado pelos barulhos da despedida  e eu junto ao calor do forno aquando fecharam as porteiras. Eu dentro e tu fora ao frio, podia ter ladrado para repararem em ti, mas ainda hoje nao percebo...".
Ainda antes do Miseravel isto me contar, havia a suspeita de serem irmaos, o que se veio a confirmar. Sinto a sua dor, como se fosse minha, pois na manha seguinte quando me levantei, o Tobias havia desaparecido. Gritei ate o tio Esmael me dizer que havia visto dois lobos a arrastar o cachorro, ainda de madrugada. Mais tarde o tio Domingos vindo de ordenhar as ovelhas confirmou os seus restos.
Vida de cao!     

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Por onde andam os meus primos...

Uma bolsa cheia deles, melhor, delas antes que deles.
A voragem era acertiva, levava quem mais queria.
Sem sequer maligna, dava azo na despedida e quem tal compreendia.
O ir!
Havia necessidade...


Hoje, no requebro de uma cantaria na casa dos nossos avos, sai o suspiro de enquanto garotos  e nas malandrices de outrora, era o inferno . O nosso e de muitos que nos invejavam por tao unidos.
Uma primada que fazia juz aos seus...que agarrava  um arado como gente adulta, que insultava em defesa qualquer filho da puta que nos tirasse do serio..
Agora, vou sabendo parcas noticias das minhas gentes.
Americas e mais ...
Por tal este meu devaneio pois creio...
Que se a gente se juntasse, os primos que sao infinitos, uns duzentos penso eu, seria uma festa bonita, cada qual contar o que provia, num dia e no regressar a casa, pensar...
Mas por onde andam eles?
 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

No olho da chamine...

Agora a nossa chamine de memorias...
Remansada  e revolta no mesmo turbilhao de alegrias e martirios, mas bastiao que olha os lameiros, qual farol que guarda historias. 



Lembro...
O ano que comecava no inverno, caustico e medonho em que o meu pai se subocava pelo rilhar dos dentes dos lobos famintos atraidos pelos cheiro do porco matado e depois desmanchado e pronto para a salgadeira.
Na Primavera, o chiar dos carros das vacas e o cheiro do estrume, que na parte por detras, carregava as merendas, pois o dia ia ser longo. Tempos de sementeiras, da batata.
No verao, o mais bonito, casado quase com o outono, este mesmo que vaidoso por entre as datas de festividades e vaidades. E fertilidades...
E voltamos ao inferno, que inferno!
Assim se passou um ano.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Nem era para postar nada...


Mas quem resiste a castelos, ainda por cima no ar...


Repito, nem era para postar nada. menos a ti que nunca vi .
Falaste em castelos no ar. Percebi a tua coragem e penso que dos poucos que me irao ler me compreendem. Luta e por tal trago a foto das rochas da minha terra e de minha mulher, que por ela lutamos. Tens o nome...Pedra!
Sendo os Reis ricos, aproveito e que eles carreguem benesses para todos...
Bonito post este.. (falta um ponto) , pronto...
Falo de quem, perguntam?
De um amigo, porventura dos mais transparentes de Espanha na sua coragem, de um amigo. Repito.
Falo de todos voces, no bliog dos forninhenses, falo de gentes de bem.
Falo de trapos roidos em lagrimas
Despejadas.
Um dia ainda me matam...