quinta-feira, 3 de maio de 2018

EU TENHO UM CÃO COMO AMIGO.

Um cão real que nos transporta ao maravilhoso mundo da fantasia.
Tão bom sermos garotos a vida inteira...
Bora, Farrusco!


quinta-feira, 22 de março de 2018

TEM CALMA, AMIGO  FARRUSCO...


Sentes a faltada dona, andas meio desorientado, compreendo, mas ela teve de vir para Lisboa por motivos de saúde. Estava mal, mas agora está melhor, graças a Deus!
Sabes, fazes parte das minhas histórias e daquilo que quero contar e se tu quiseres eu quero...
Vou falando com amigos daí e sei que és bem tratado, mas sei o que te falta: Ela.
Sabes, tenho pena de ti, mas uma pena carinhosa como agora em que me correm as lágrimas como se estivesse a teu lado, aí no páteo, enrolados na tua manta à espera que a luz da cozinha e alpendre se acendesse.
Triste deve ser a noite vazia, solitária...
Soube que no Domingo estavas antes da missa começar, te sentares no lugar dela; nao é coisa que se faça, uma parte assim!
Mas, tenho boas notícias pra ti: falta uma semana para estarmos juntos.
Sim, Ela também vai comigo...
Agora sossega!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Ainda hoje na retina das memórias, carinhosamente o José guarda a figura do Peralta.
Estava fora do tempo moderno que lhe ia restando no bengaleiro pela escassez as indumentárias que tomara ele que lhe sobrassem...
Aquele homem ia caminhando pela idade para o vazio, ele que tantos anos havia vivido no meio do vício e do putedo por trabalho, funcionário e nao ordinário, tinha à sua  sua espera na rua dos Cavaleiros junto ao Martin Moniz, a Graça ficava mais acima, a sua gata, Palminhas.
Materialmente, o Peralta com as "gorjas", até que vivia bem e algum arrecadava por não esperar reforma. As coisas são como são...
- José, vem comigo, pois se penso quem tu és, hoje não dormes na rua.
Sentiu  que o estava a pôr à prova pela força nas palavras, ele sabia quem era...
A casa estava imaculada, tudo no sítio e atá a Palminhas tinha o seu canto limpinho.
Fez chá para ele e aqueceu um copo de leite com chocolate para o José...e duas torradas.
Deixou-o ficar na sala, antes de lhe recomendar: tens toalha na casa de banho e cobertores no sofá, fica à vontade e amanhã falamos.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Nascendo até hoje...


Para as bandas do Saldanha, a noite não batia horas.
Era dos que por ali andava, mijando pelas esquinas, cagando onde bem calhava, vasculhando o que sobrara. A vida assim tal ditara!
Diziam que pelas quatro era a hora da morte, a cidade ficava parada por a Carris recolher no Arco do Cego e nesse entretanto tudo do mais ruim podia acontecer,  que me importava se tudo havia perdido, mas riqueza, duas beatas no bolso, uma ainda bem banquinha, fina, devia ter valor nalguma troca.
 Outrora havia conhecido estas zonas com bom sapato, camisa branca e calças à boca de sino, cabelo brilhante e animava as discotecas  pretendido pelas mulheres.
O velho Peralta dominava o bengaleiro no seu bigode afiado (ele dizia encerado) para receber mais uns trocados nos cuidados de guardar os agasalhos dos chegantes.
Vi-o à distância, do lado de fora, o bigode mais grisalho no seu corpo encurvado, mas solene na sua postura.  A alcatifa vermelha já mostrara  melhores dias, desbotada, assim a vi aquando e sem nada ter a temer me aproximei da porta onde outrora era bem recebido.
Medos do nada, era mais um pelas ruas, no contraponto do dia com a noite, o frio e o quente ou o bem e o mal.
Fiquei por ali encostado à conduta do ar quente que vinha de dentro; estava-se bem e mais tarde viriam migalhas das sobras de mesas fartas do bom e do melhor...
E por momentos assolou a inquietude de aqui estar e tal sacudi.
Não queria lembranças farto de mentiras num mundo construído às avessas.
Estava bem ali, meio acomodado no quente e o pesadelo vem sempre num clique, o fechar da porta, desta e porventuras outras vezes pelo velho Peralta.
Olha em volta sossegado e desce o único degrau. Resmunga que  o tempo está frio, olhando para mim de soslaio sem querer conhecer  ou dar importância a alguém que por ali estivesse, afinal era importante na casa.
O raio do velhote que anos antes me tirava o casaco com mordomia ... quem diria!
- Peralta!
Olhou e retrocedeu numa calma dolente habituada a episódios da noite.
Parecia que a vida o havia preparado para isto, bons e maus momentos e por tal ficou especado , mais hirto e menos corcunda à minha frente, a estudar o possível perigo que poderia enfrentar.
_ Que queres?
Eu nada queria e o que queria ele não me podia dar. Queria o meu tempo de volta,mas esse havia perdido e ele jamais me poderia ajudar se nem sequer me reconheceu, Afinal quem  era eu?
- Nada, Peralta.
Foi então que vejo o Peralta, o velho Peralta meio atordoado se encostar à esquina e pelo seu olhar fuzilante, sentir medo.
- José?
- Sim...


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O LIVRO, O DESAFIO.

Muita gente me pergunta ao longo do tempo, a razão de não expôr as minhas vivências, as solicitudes da vida, as  iniquidades complacentes de um turbilhão de vida.
Tanto que o tenho tentado em meros escritos, dignos, de outra forma  jamais  teria ousadia para...
Medos tenho, em estar á altura para o desafio. Medos por recear abominações malévolas, por des-gentes, mas ciente que vou mexer com muitas coisas.
Conheci muita gente da "alta", desde a igreja, politica e desporto...e seus meandros.
Conheci e vivi com as gentes da minha terra.
Agora sim, vou em frente! 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

RUÇITO, O AMIGO DE FARRUSCO.




A primeira vez que havia visto o puto, ia ele assentado na parte detrás do carro das vacas do seu avô Justino da Miquelina, baloiçando as pernas ao  ritmo dos solavancos ditados pelos buracos do caminho rude que conduzia lá para o cimo da serra de S. Pedro.
Extasiado, assim me pareceu aquando comigo e com meu pai se cruzaram  no Alto dos Pinheiros a puxar para o lado dos Valagotes e tal como nós, iam para as sementeiras.
Atento ao que o rodeava, ele menino da cidade, pareceu-me saber escutar o silêncio apesar de algum espanto que vislumbrei quando a natureza se soltava em gargalhadas da passarada e dos gritos de quem de aguilhada na mão, dava rédea curta aos animais para acautelar uma boa chegada ao destino.
Com o tempo e quando ele vinha de férias, era por ali que o ia encontrando, menos menino e mais afoito, ao ponto de por vezes m acompanhar, serra acima, o que era e é duro, mas via que ele gostava e um dia dei-lhe a conhecer o Farrusco. Acho que este nao gostou, quiçá por ciúmes, mas gradualmente foi-se habituando e fiquei feliz no dia em que os vi a brincar juntos, como duas crianças, mas mais feliz por entender que aos poucos o Farrusco ia  suportando de modo mais leve as suas desgraças, embora sem as esquecer.
Ficaram amigos, ele e o Ruçito.       


Ao seguir deste Natal frio de rachar, e depois do que se havia passado comigo e com o Farrusco, tal com contei no post anterior, veio uma aberta de sol de apenas quase um dia e bom, vou ver se apanho uns míscaros e quem sabe veja como está o meu amigo lá para cima, nas terras de cotovias de dia, de corujas,, lobos,e raposas de noite  e lendas...
Para baixo, nas quebradas, as badaladas do toque do sino  anunciavam o meio-dia de um céu azul intenso a que uns desperdícios brancos de nuvens, aqui e acolá, mais abrilhantavam.
Ele há coisa que por vezes o entendimento não acompanha de forma alguma. Nem a ciência, apenas o coração.
Do lado esquerdo, por debaixo da cadeira do rei e por entre os lameiros e a orla do pinhal, estavam estes dois amigos como que me aguardando com uma cesta de míscaros.
Sim, há coisas...
Acho que eles disseram que era o meu cabaz de natal.