domingo, 12 de março de 2017

Escritor de sonhos...

Sabes  amigo, estou aqui meio tolo, atordoado a escrever para ninguém,  que a noite se vá vai adiantada. Tomara que passe depressa ,não achas?
Claro que não queres acordar dos sonhos, nossos devaneios e aventuras, mas tu estás velho, tal  como eu.  Corremos um caminho pequeno mas bonito, sempre juntos.


Talvez um dia gente volte, coisa difícil.
Cortaram os políticos a coisa melhor das nossas lembranças, a casa dos nossos avós e aquilo ali semeado. Vale a pena?
Vamos partir, Farrusco e deixamos:

Ouvia, amedrontado varios anos atras pelo que deles contavam, uns assassinos, mas nunca em tais vislumbrei lagrimas. Era por norma escuro e se tais tinham, tais guardavam. Porventura no momento em que os nossos  se acomodavam em suas casas, depois de recolhido e ordenhado o rebanho. Porventura fraco, melhor, mais remediado que o deles que os rebanhos eram escassos e cada vez mais mal nutridos.
Afinal e por tal, a coisa estava equilibrada, se a presatais tinham, tais guardavam. Porventura no momento em que os nossos  se acomoda rareava, o predador ia morrendo de fome...   
ordenhado o rebanho. Porventura fraco, melhor, mais remediado que o deles que os rebanhos eram escassos e cada vez mais mal nutridos.
Afinal e por tal, a coisa estava equilibrada, se a presa rareava, o predador ia morrendo de fome...   

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

HIBERNAR O TEMPO

Por aqui andamos no tempo do pouco tempo
Ajeitados no vento
De memórias  do nada
Fantasias...
Saborosas.

Descendentes de um escritor louco

Por entre misteriosas ruínas


De tantas aventuras e devaneios
Agora mostro o teu rosto


Vamos brincar, diz o Farrusco...

Raio do frio que aperta e nos deixa, assim
Quentes e dormentes
Raio da saudade de andar por aí, de leve pé
Descalço
Murmúrios da noite
Em sobressalto
Mitigado nas noites frias
Por ma fogueira
Indigente
Que aquecia a gente
E nos transportava
Por aí...
Quiçá, a gente acorde deste sono
Sem a vida ficar ao abandono.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ACOMODAR O INVERNO.

Pouco ia restando do estio, não fossem umas varas secas de vides e caruma amontoada nos pinhais, para o estrume. Sobrava um ou outro míscaro bichoso, encontrado por quase desleixo pelas gentes da azeitona. Isso quando no pinhal  e nas veredas dos lameiros batia o sol e este vencia a geada.


O tempo ia arrecadando os seus sortilégios para os meses de carestia pronunciados, fossem eles bons ou maus...as luas tal ditariam, conforme mandava o povo, melhor, a sua sabedoria.
Certo é que como no Natal, um vem atrás do outro.






terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O calor de Natal...

Lindos os amigos do Farrusco, companheiro adorado por mim, e pelos seus iguais.

Por esta altura natalícia, resolveram que devia ser presenteado pelos pares, afinal e quase no fim da vida, tem sido um exemplo de luta e coragem para com os que se seguem...

Por tal aqui trouxe os seus amigos...para ele. A minha prenda:





quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Boas festas para vós...


Como era , como era a ansiedade de receber o postal de boas festas, num pregão cantarolado e de modo quase brejeiro pela mulher do correio...
Vinham de terras distantes, mas tão bonitos e  coloridos que nos faziam viajar para terras distantes.


Permite o tempo que ainda a gente vá recordando.
Malvado, este novo tempo que vai moendo sentimentos, como que se a nostalgia do passado, fosse inócua e residual.
Que o tempo não apague o tempo e os seus sortilégios e anseios
Que não apague o amor! 

domingo, 4 de dezembro de 2016

ABRENÚNCIO!!!

Nesse inverno dormiu com os espantalhos da sua vida e acordou determinado, parecendo transfigurado: 
" Não te metas com o cão velhoCoitadinho do Farrusco, nos seus pesadelos apenas um pungente rosnar para o passado, o de um general perdido no seu labirinto.  
Longe, afastado e nas sombras  da fogueira,  agonizava, queria fugir de maldições, renunciava a satanás  por acometimentos maldosos havidos , mas o mafarrico gozava com ele, sentindo-o perdido, fazia com que os seus pensamentos ,quase confissao, vagueassem a esmo, quando apenas procurava o caminho de volta.", rosnando a sua maldição; tinha ficado arrenegado! 



Ia amornando o inverno e havia que tornar a levar o rebanho para a serra e ao mesmo tempo ajudar as sementeiras, os arados não podiam enferrujar e as cabras e ovelhas prenhas tinham de ser bem alimentadas.
Agreste havia sido o inverno, mais pesaroso que penoso, que este as gentes bem ou mal, aguentavam,  mas o pavor dos bichos ruins, os lobos esfomeados que vinham em alcateia ,descendo, ai Deus nos acuda, pois um lobo faminto é como um homem desvairado, ou pior...
Mas num desvario sentimental lá levei o Farrusco, afinal as suas duas filhas por ele ensinadas nos mistérios da serra, sempre estariam atentas e podendo, em caso de necessidade, com elas podia contar.
Era gelada a noite e se o gado não aguentava o frio, que dizer da gente, o melhor era recolher à corte de pedra de granito,  meio destelhada, tétrica  no alto da serra, mas acomodo para todos, gentes e animais.
Ainda a noite longa não pronunciava a aurora, eis que se alevanta uma ventania medonha; a chuva ou granizo, pronunciavam o fim do mundo e os restos da fogueira que teimavam em arder, soltavam o último suspiro, apenas ia restando o borralho, detrás do qual o Farrusco tinha apenas o olhar fixado na porta alquebrada, a única.Quando descarregou a trovoada, nem sequer latiu nem escutou as minhas preces a Santa Bárbara, parecendo milagre o gado estar calado...
Eis senão quando, cai um raio no pinheiro ao lado do casebre e temi o fim, afinal já se ia ouvindo o correr feroz das águas pelos côrregos abaixo.
Durante muito tempo, pairou o silêncio, ou o meu medo, pior ainda quando os sinais exteriores faziam sentir os lobos e pelo matraquear, o chefe da alcateia como vim a saber mais tarde.
Era o mafarrico e rezei e encomendei a minha jovem alma a quem aprouvesse.
Apenas lembro um grunhido medonho, horripilante, demoníaco e um estardalhaço na  porta pelo cão velho que a derrubou...
Dizem que ainda anda or ali o mafarrico, mas eu e o Farrusco, já velhinhos, gostamos de por ali passar e na dúvida, quase brincadeira, em vez de figas apenas dizemos abrenúncio!