domingo, 4 de dezembro de 2016

ABRENÚNCIO!!!

Nesse inverno dormiu com os espantalhos da sua vida e acordou determinado, parecendo transfigurado: 
" Não te metas com o cão velhoCoitadinho do Farrusco, nos seus pesadelos apenas um pungente rosnar para o passado, o de um general perdido no seu labirinto.  
Longe, afastado e nas sombras  da fogueira,  agonizava, queria fugir de maldições, renunciava a satanás  por acometimentos maldosos havidos , mas o mafarrico gozava com ele, sentindo-o perdido, fazia com que os seus pensamentos ,quase confissao, vagueassem a esmo, quando apenas procurava o caminho de volta.", rosnando a sua maldição; tinha ficado arrenegado! 



Ia amornando o inverno e havia que tornar a levar o rebanho para a serra e ao mesmo tempo ajudar as sementeiras, os arados não podiam enferrujar e as cabras e ovelhas prenhas tinham de ser bem alimentadas.
Agreste havia sido o inverno, mais pesaroso que penoso, que este as gentes bem ou mal, aguentavam,  mas o pavor dos bichos ruins, os lobos esfomeados que vinham em alcateia ,descendo, ai Deus nos acuda, pois um lobo faminto é como um homem desvairado, ou pior...
Mas num desvario sentimental lá levei o Farrusco, afinal as suas duas filhas por ele ensinadas nos mistérios da serra, sempre estariam atentas e podendo, em caso de necessidade, com elas podia contar.
Era gelada a noite e se o gado não aguentava o frio, que dizer da gente, o melhor era recolher à corte de pedra de granito,  meio destelhada, tétrica  no alto da serra, mas acomodo para todos, gentes e animais.
Ainda a noite longa não pronunciava a aurora, eis que se alevanta uma ventania medonha; a chuva ou granizo, pronunciavam o fim do mundo e os restos da fogueira que teimavam em arder, soltavam o último suspiro, apenas ia restando o borralho, detrás do qual o Farrusco tinha apenas o olhar fixado na porta alquebrada, a única.Quando descarregou a trovoada, nem sequer latiu nem escutou as minhas preces a Santa Bárbara, parecendo milagre o gado estar calado...
Eis senão quando, cai um raio no pinheiro ao lado do casebre e temi o fim, afinal já se ia ouvindo o correr feroz das águas pelos côrregos abaixo.
Durante muito tempo, pairou o silêncio, ou o meu medo, pior ainda quando os sinais exteriores faziam sentir os lobos e pelo matraquear, o chefe da alcateia como vim a saber mais tarde.
Era o mafarrico e rezei e encomendei a minha jovem alma a quem aprouvesse.
Apenas lembro um grunhido medonho, horripilante, demoníaco e um estardalhaço na  porta pelo cão velho que a derrubou...
Dizem que ainda anda or ali o mafarrico, mas eu e o Farrusco, já velhinhos, gostamos de por ali passar e na dúvida, quase brincadeira, em vez de figas apenas dizemos abrenúncio!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

VALAGOTES


Agora que o frio vai apertando, a gente vai esmorecendo, mas lembrando outros tempos...e gentes.
Forninhos, veio de cima para baixo e haja o mais pintdo que tal desdiga e o prove.
Era esta réstea de gentes nobres e com ganas, alcondoradas nos penedios, que soltavam os alertas dos malefícios dos homens e dos bichos.
Gente boa esta ,a do lugar dosValagotes.
Lembro...
Os moinhos, e as madrugadas ensoleiradas pela lua cheia com o carro das vacas carregado de farinha moída, escorregando pelos reles caminhos, gelados, de terra batida.
Lembro...
Os senhores pastores ,dormindo aonde aprouvera, no resguardo dos seus rebanhos, tenazes e destemidos no guardar o que Deus lhes prometra e eles cotinuavam quais
apóstolos.
Lembro...
Carregarem os melhores queijos para a feira de Fornos ,às costas ou à cabeça,ainda era de noite, por mais de dúzia e meia de quilómetros...
Lembro...
A camioneta do Sr. Graciano que carregava o gado e as gente, tudo misturado.
Na volta, alguns ficavam pelo caminho, adormecidos num adega ou taberna.
Mas lembro...
Os Valgotes sempre foram terra de gente de bem. Pequenina, certo, mas de grande nobreza


domingo, 30 de outubro de 2016

COISAS DO ARCO DA VELHA

A história que vou contar, contou-me certa velhinha numa noite de luar, nas cinzas da última pinha, remelosa que teimava em se apagar, porventura desvairada pelo vento que descia da chaminé.
Renitente a velha, foi metendo mais uns galhos secos na lareira e à cautela, foi entrapar as janelas.
Começavam a bailar as primeiras farripas de neve e a canalha dela, dormia esparramada por bem tratada. Meteu uma cavaca de carvalho, sinal de que a coisa  prometia...
Eles, os homens, tratavam da vida nas serranias, trazendo os últimos fenos e animais para a aldeia, acoitados de noite nos casebres de granito para o gado comer de dia as últimas restéas de feno que a geada queimaria.
Pronúncio da miséria do inverno, a ferocidade da sobrevivência...o homem e a fera.



Houve um senhor que tinha um rebanho pequeno que pouco ganho lhe dava, ou nenhum, digamos,assim titubeava o raio da velha que não calava a matraca,mas sabendo que conhecia a serra e os seus segredos, pára, e escuta...
O Ti Zé das Lareiras tinha quatro ovelhas e duas cabras.Andava por ali na serra de São Pedro, por vezes descia aos Cuvos. Sabia da vida dele, tipo eremita que por vezes descia a aldeia para procurar mantimentos e fósforos, entre outros...
Vivia no dia a dia da caça, na guerra da disputa daquilo que o alimentava,caçava uns coelhos ou rolas, sabendo que o inimigo, o lobo, lhe disputava as presas.
A velha que tal me conta, jura pela alma dos mais chegados  que foi lá um dia um dia de manhâ.
Agora duvido da história.
Contava-me ela, com as brasas apagadas, que havia um lobo morto e um coelho apanhado., 
Por quem, dona Piedade, perguntei...
Foram os Mafarricos!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

NASCEMOS FAZ HOJE TRÊS ANOS...

Estás a escrever sobre nós? Matreiro e vaidoso no seu olhar embevecido, sinto a pergunta, pois madura é a nossa cumplicidade, afinal tanto vivemos, ele em parte guarda a minha vida, eu retribuo.


Fez dieta o "malandro" nas suas férias clandestinas, tal como antevi, pior as mazelas, marcas profundas no corpo de mordidas de defensores dos seus territórios.
"Mulherengo"...ainda bem que cheguei a tempo de te tratar,


És um ícone da aldeia.
Mal o sino da aldeia toca as "entradas" para a missa e/outras cerimónias, o teu uivar pungente e sem graça, incomoda, pelo menos o meu despertar, cala o cantar do galo, coisa de menos, pior o ladrar para a raposa matreira noite adentro
Tal como neste final de Agosto!


Nestas fotos tiradas na serra, andavas comigo, lembras?
Claro, aquela história em que procuravas a tua família, sem perderes a crença e que valeu os encontrares descendo as serranias de S. Pedro.


Provei e adorei os melhores bolos de azeite, feitos de modo único e genuíno.


Na mão do mestre do forno, o tio António Carau


Nestes três anos passamos muito. Frio e calor, amuos por vezes, mas no fim, unidos.


Numa mão cheia de riqueza.
Pedaços de vida.
Num bem haja agradecido.


Estes, os lobos, quase acabaram como por aqui contamos, com a tua família, mas sabes que gosto deles e da sua vida tratam.
Raio do ciclo da vida...


Forte e valente, as gentes da nossa terra!


A minha maior tristeza, é quando me venho embora de féria tal qual as andorinhas e tu ficas tristonho, mas agora vou mais amiúde... Não fiques triste, afinal fazemos anos!!!.


Queres melhor que guardar serras e ribeiros, terras tuas?
Mereces!

terça-feira, 26 de julho de 2016

O FARRUSCO DE FERIAS?

Decorrido quase um mes em que andava apoquentado pelo seu desaparecimento, o malandro deu noticias. Ingrato, Foi tratar\das ferias que nunca teve, dizia num simples rascunho e ia ver o mar.
Que se lixe e se desenrasque,  sozinho vai voltar um bacalhau, se voltar....



Ainda gozou com as vestimentas, como se fosse muito importante, o safado do cachorro!


Se calhar devia ir ter com ele. Que faria um louco sem outro porventura pior?
BOAS FERIAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

EU VIM DE LONGE...

EU VIM DE LONGE...


Surgimos das sombras escuras como seculos atras.
Fidalgos bravos, famintos de gloria, desbravando o impossivel para os outros, sem claudicar e cantando que: 


"Eu vim de longe
de muito longe

o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar".



É uma casa portuguesa com certeza!
É com certeza,uma casa portuguesa!

OBRIGADO, MEU PORTUGAL!