terça-feira, 7 de abril de 2015

A Senhora Maria

Jamais resisti ao seu sorriso e simpatia. 
A vizinha que me viu nascer e a cada ano que por mim passa a vejo igual.
Sempre com esta tranquilidade que invejo... 

E por tal nem sei a idade, nem pergunto, mas imagino pelo tempo.
O raio desse tempo que nao para, mas mal a vi ao fundo do caminho no sabado antes de domingo de Pascoa, fiquei emocionado. Falamos um bocadinho que Ela vinha carregada e nao queria ajuda, apesar de vir assim de longe. Por gosto.
" Tao carregada, Tia Maria...".
" Que tu queres, se amanha, dia de pascoa, esta tudo enfeitado, as minhas galinhas e coelhos, tambem merecem, nem que seja flores de couves....".

Bem bonitas, por sinal e um beijinho, vizinha! 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Boa Pascoa

Cada qual a seu modo de ver... 



Tem o seu encanto 
Em modo de primavera
Um sorriso inocente
De lembrar quem era
Roupa nova a estrear
E a Jesus orar
Depois do jejum
Que a gente quebrava
No fingir dos pais
Que apercebidos
Do pecado mortal
Gritavam insurgidos
Para remediar
Mas...
Vinha a festa
Como a gente brilhava
No banho tomado
Ja sem alguidares
A missa cantada
Com a procissao
Alma engalanada
Barriga apertada
No correr travesso
De quem procurava
O que o forno tinha
O cabrito assado
Um manjar divino
De boca lambida
Tal como a bisca
Arisca...
Enquanto esperavam
A visita do padre
De mesa composta
Tudo bem disposto
E ele rezava
Deus esteja convosco.

sábado, 28 de março de 2015

COISAS MINHAS

Bora la puto... 


Gosto deste miudo,  ponto final!

O "gajo" tem pinta, dizem que sai ao pai, mas tem mais sensibilidade, procura com mais calma o seu caminho, diz que gosta de arqueologia.
Somos amigos e muitas vezes damos um abraco, forte.
Tem 16 anos e para o ano entra na universidade. Diz que me vai mostrar coisas novas e eu fico feliz por ele ter esperanca no futuro e acreditar.
Ha dias disse que aqui neste meu canto, tinha falado da irma Andreia (ciumes...) e dele e na sua linguagem, "nepia".
Sempre gostou que lhe escrevesse uns versos para levar para a escola e impressionar a turma.
Hoje apetece dar para ele umas rimas, mas...
Na foto, desafiante, olhando os seus olhos, fico intimidado.
Sei que me adora e lhe digo que,
" O mundo perdido
Tem por si somente
A mente da gente
Tal como castigo
Que ao longo do tempo
Nos corroi sarnento
Ate ao umbigo
Sem deixar palavras
E coisas de nadas
De quem nao escuta
Que a dor da ausencia
Tem a pertinencia 
Indolor
Da palavra amor
Esta semana vamos viajar, Puto! 

segunda-feira, 23 de março de 2015

O cheiro da pascoa descia dos montes

Havia que aquecer bem o forno para cozer os "bolos" e a canalha tinha de ajudar a apanhar as melhores urgueiras pelos montes, ainda floridas de roxo.
Nem era trabalho, pois a aventura era nas suas raizes encontramos as putigas sumarentas e peganhosas...


Mas por entre aventuras escondidas, a satisfacao reinava por termos com meia duzia de galhos, ajudado o tio Antonio Carau, a ter o forno a preceito,


Sempre um mestre, em tudo!


E iamos espreitando gulosos...



Caramba, como ficaram bonitos!

Tinhamos direito as amendoas, depois de tanto trabalho!!!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Trova do tempo...


Mais de cem anos separados...


A minha avo Maria Lameira pergunta

Ao vento que passa
Noticias do seu pais
E o vento cala a desgraca
O vento nada lhe diz


A minha mae aguenta...

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidao
Ha sempre alguem que resiste
Ha sempre alguem que diz nao 


A minha filha apela...

Mas ha sempre uma candeia
Dentro da propria desgraca
Ha sempre alguem que semeia
Cancoes no vento que passa

Bonita a Liberdade!

segunda-feira, 9 de março de 2015

O ZECA MATOU MEDOS...

E TANTO LUTOU CONTRA VAMPIROS...





Mal parecia gostar desta "gente" que cantava contra o "respeito" devido ao estado.
Ficava mal e era perigoso. Ainda...
Vim para Lisboa da aldeia, no período quente da Revolução. Nao fiquei atrapalhado, confesso, mas o trânsito e as avenidas...vinha apenas habituado a ruas com nome, claro de uma ou outra vila, que as da minha terra eram pela casa de fulano e cicrano.
Nunca ninguém se perdeu, convenhamos.
Guardo para mim ainda agora e com a mesma intensidade a maneira melodiosa com que foi  ocupando e sem querer substituir as cantigas de embalar da minha mãe, aquelas baladas quentes e conquistantes que ainda tal continuavam aquando o vi pela última vez em 83 no Coliseu, doente e um "monstro" de homem.


Fazes falta, camarada, companheiro.

VIVA O ZECA!