quarta-feira, 18 de março de 2020

Olá mãe, bom dia e a sua benção...
Arrenagava-se muito comigo, sempre assim foi  toda a  vida, era uma carga de trabalhos para ela. 
E tinha sempre razão, era um andorinho que por vezes coçado numa surra, tinha a sua asa aberta para me acolher, tal e felizmente como ainda hoje.
Gosto muito dela!
Enquanto escrevo e o relógio corre, não tarda nada está com noventa anos, faltam quinze minutos que quero aproveitar.
Olha mãe, não vai haver as festividades programadas, com a família e amigos, mas fica para outro dia, pois este já mora dentro de nós, dentro do coração.

Tenho uma Mãe
Minha e dos meus irmãos
De netos e já bisneta
Somos filhos de Alguém
De uma lutadora
Da fibra de quase ningúem
Amo-te tanto minha mãe!

( a minhha prenda, é a sua varanda...bonita). 
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

FALA COMIGO, VÁ LÁ...

Há tanto que nada de ti sabia, perdi a minha cadela mais os filhos que eram dela e por ti chorei também, não que eu faça parte de alguém, mesmo tendo coraçao, serei sempre um pobre cão, e por tal considerado, escondes as minhas falas, apenas ladro e só tu me entendias. Agora, vens neste estado, mais miserável que eu...valha-me nosso senhor, neste sincero clamor, que foi um ar que lhe deu. Vens como eu já fui, escanzelado, rôto, esfomeado, verdadeiro maltrapilho desse mundo que viveste, tu que te tinhas por fidalgo, olha agora para ti, no tambor de um rançoso barril, a escrever às escuras, talvez para não sentires o peso da alma, aquela coisa que mete medo e pior, respeito. Talvez venhas para ficar, não sei, tu não falas, mas afinal o que tens?  Voltei se por aqui me quiseres, recomeçar havendo tempo, sentir o uivar do vento, aquela gritaria na serra e voltarmos a viver...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

NATIVIDADE

Carregava com ela apenas uma mochila e dois sacos usados do Continente, meio entupidos por parcos pertences e dois livros despidos de algumas folhas e capas maltratadas, daquilo que me foi dado ver.
Educada ao pedir licença se se podia sentar ao meu lado na carruagem vinte e um do Intercidades, com destino à cidade da Guarda, com lugares marcados mas à janela, lugar que me pertencia. Acedi.
Silenciosa sempre até para lá de Coimbra, naquele ar austero, nem seria bem austero, diria que meditabundo, pelas rugas que lhe crepitavam, iam e vinham por debaixo dos olhos...estranho.
Outrora, devia ter sido uma bonita mulher pelos rastos que dela se desprendiam, do seu olhar e maneios.
Apenas uma e por uma vez somente, a olhei naqueles olhos mortiços que quase e por milagre se incandesciam por segundos ao olhar para as serranias da Serra das Estrela.


Ela ia para o destino dela, eu tinha de ficar no meu. O dela seria o final da linha e pedi-lhe licença para retirar os meus pertences, não queria incomodar, apesar de faltar um quarto de hora para o meu destino e foi aí que falou.
Ia à procura de paz, ia à procura das suas gentes na esperança de estarem vivas e a aceitarem.
Ia um pouco á tõa na esperança que sendo Natal, por ali encontraria um pouco de perdão.
Havia feito mal e por tal havia passado dez anos na cadeia de Tires. 
Dez Natais que havia perdido por estar longe dos seus e mais que arrependida.
Quem sabe se aquela fogueira não derretesse as suas lágrimas sofridadas e arrependidas?
Era disso que vinha à procura!
Tinha de sair na minha paragem e perguntei-lhe o nome.
Apenas e no primeiro sorrisso que lhe vi, respondeu:
- Natividade...
Ironia do destino.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Crendices...


 Reza a lenda que, inicialmente, um homem foi mordido por um lobo e ficou enfeitiçado. Assim, nas noites de lua cheia ele se transforma, adquirindo garras de lobo e um corpo coberto de pelos, e sai uivando em busca de seu alimento predileto: sangue.



Em tempos recuados a feitiçaria era um assunto normal do quotidiano, crenças e superstições vinculadas às bruxas que, com as suas ervas e rezas, curavam os doentes e aconselhavam aqueles que tivessem dúvidas em algum aspecto de suas vidas. Por tal e por desconfiança, eram perseguidas até ao extremo de arderem na fogueira.
Permitam que lhes reze um conto a este respeito de medos.
"... as bruxas, melhor, as dignas feiticeiras empossadas por aqueles a quem subtraiam o pouco do nada e dos seus, que eram tal e qual como elas, não sendo o dom da feieza as tornar medonhas nas olheiras cavadas e verrugas. Vestustas nas mantas rompidas que lhes ecorregavam pelos ombros, cabelos eriçados, olhar eléctrico para os céus, dentes arreganhados dos poucos que iam restando e aquando uma ovelha ferida e um cão mordido desciam das serras por ter escapado a um lobo faminto e procurando refúgio, se coçavam e excitavam na esperança de verem o pastor surgir quase estrelhaçado.
Era um gáudio que tal viesse a acontecer, pois disto fariam mestrias das suas mezinhas e milagres. 
Mas...
Lá acima, na serra, pairavam medos, andava isso sim e a sério, o demónio à solta. Aquele a quem o povo chamava e ainda hoje nos medos sussura, o  lobisomem. 
Com as debaixo, na aldeia, ainda  o povo se iam aguentando, mais não fosse com rezas, résteas de alhos pendurados à porta e figas aquando por defronte passavam, mas o diabo lá por cima?
O Manel das Vacas ia para oito dias que nâo aparecia no povo e os poucos que com coragem subiram a serra acima, apenas viram um rebanho tresmalhado por entre giestas e sargaços,  ao deus-dará.   Procuraram o pastor até ao cair da noite, embrenhados nas ravinas e silvados e nada.
Coitado por onde ele andaria e resignados empreendem o regresso, mais apressado do que previam pois ao ouvirem um rugido maior que um trovão, desancaram por ali abaixo. Tal conta quem ouviu de quem ouviu contar.
Célere correu a novidade e se o medo já era grande, imaginem. Pôr cobro à situação foi o motivo pelo qual o conselho da aldeia reuniu de emergência, mas quem teria coragem para afrontar a Besta e talvez resgatar o Manel das Vacas? Ninguém.
Eis que no meio do ajuntamento se ergue a voz  meia carregada pela bebida, do Jamaicas, homem que agora gasto pelo vício de tantos anos fóra e sentencia: quem lá vai são as feiticeiras, mais nada!
Elas estavam presentes, discretas nos bancos ao fundo, porventura esperando restos de calamidades e tal e no incomodo as fez erguer em sobressalto, nuns ralhos estridentes que aquilo não era com elas que eram gentes de bem. Foi tal a algazarra e humilhação que condescenderam a partir à meia noite, na lua cheia e foram...
Subiram no ritmo das suas lenga-lengas mesureiras e quase no topo da serra, sai um urro medonho.   
Esqueciam o diabo e gritavam por Cristo e eis que lhes aparece o Manel pastor, dentes afiados, peludo e sanguinário.
Até hoje nunca mais alguém viu estas gentes, mas dizem que por lá andarão!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Se continuas a olhar para trás, não consigo escrever...
Sei que já não há galinhas na porta ao lado, o cravelho nem tal segurava, agora foi trocado por uma tranca rançosa, prendida por uns nagalhos; mas teimoso, achas que por riba acima é o caminho, então vai!
Vai e traz notícias do nosso ribeiro, se fores lamechas, não olhes para a direita aonde ele corria a seu tempo, tempo que não sabes contar, apenas cheirar, pois o tempo foi passando, os teus amigos se foram aos poucos, aqueles que enfrentavam os bichos das galinhas e demais...
Sinto que tens coragem de sózinho, correres com os fantasmas, como tu, perdidos na noite.
Sim, por seres aquilo que és, um solitário, mas profeta do teu modo de ser.
Sabes, tenho saudades tuas.
Tens sido bem tratado que eu sei, mas também que andas triste e ambos o tal sabemos, o motivo...
A dona e amiga  não pode estar presente pelos motivos que sabes, mas posso ir ter contigo neste final de semana?
Quem sabe se não encontramos uns tortulhos, mas tão sendo, brincamos junto, não é bom?
Até que não te podes queixar muito, tens um pátio tão bonito e que eras uma seca em Agosto, sempre agarrado aos meus pés.
Espera por mim amigo e vamos viajar no nosso tempo.






Entre a rua e tua casa.


ESPERA...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

EU TENHO UM CÃO COMO AMIGO.

Um cão real que nos transporta ao maravilhoso mundo da fantasia.
Tão bom sermos garotos a vida inteira...
Bora, Farrusco!


quinta-feira, 22 de março de 2018

TEM CALMA, AMIGO  FARRUSCO...


Sentes a faltada dona, andas meio desorientado, compreendo, mas ela teve de vir para Lisboa por motivos de saúde. Estava mal, mas agora está melhor, graças a Deus!
Sabes, fazes parte das minhas histórias e daquilo que quero contar e se tu quiseres eu quero...
Vou falando com amigos daí e sei que és bem tratado, mas sei o que te falta: Ela.
Sabes, tenho pena de ti, mas uma pena carinhosa como agora em que me correm as lágrimas como se estivesse a teu lado, aí no páteo, enrolados na tua manta à espera que a luz da cozinha e alpendre se acendesse.
Triste deve ser a noite vazia, solitária...
Soube que no Domingo estavas antes da missa começar, te sentares no lugar dela; nao é coisa que se faça, uma parte assim!
Mas, tenho boas notícias pra ti: falta uma semana para estarmos juntos.
Sim, Ela também vai comigo...
Agora sossega!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Ainda hoje na retina das memórias, carinhosamente o José guarda a figura do Peralta.
Estava fora do tempo moderno que lhe ia restando no bengaleiro pela escassez as indumentárias que tomara ele que lhe sobrassem...
Aquele homem ia caminhando pela idade para o vazio, ele que tantos anos havia vivido no meio do vício e do putedo por trabalho, funcionário e nao ordinário, tinha à sua  sua espera na rua dos Cavaleiros junto ao Martin Moniz, a Graça ficava mais acima, a sua gata, Palminhas.
Materialmente, o Peralta com as "gorjas", até que vivia bem e algum arrecadava por não esperar reforma. As coisas são como são...
- José, vem comigo, pois se penso quem tu és, hoje não dormes na rua.
Sentiu  que o estava a pôr à prova pela força nas palavras, ele sabia quem era...
A casa estava imaculada, tudo no sítio e atá a Palminhas tinha o seu canto limpinho.
Fez chá para ele e aqueceu um copo de leite com chocolate para o José...e duas torradas.
Deixou-o ficar na sala, antes de lhe recomendar: tens toalha na casa de banho e cobertores no sofá, fica à vontade e amanhã falamos.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Nascendo até hoje...


Para as bandas do Saldanha, a noite não batia horas.
Era dos que por ali andava, mijando pelas esquinas, cagando onde bem calhava, vasculhando o que sobrara. A vida assim tal ditara!
Diziam que pelas quatro era a hora da morte, a cidade ficava parada por a Carris recolher no Arco do Cego e nesse entretanto tudo do mais ruim podia acontecer,  que me importava se tudo havia perdido, mas riqueza, duas beatas no bolso, uma ainda bem banquinha, fina, devia ter valor nalguma troca.
 Outrora havia conhecido estas zonas com bom sapato, camisa branca e calças à boca de sino, cabelo brilhante e animava as discotecas  pretendido pelas mulheres.
O velho Peralta dominava o bengaleiro no seu bigode afiado (ele dizia encerado) para receber mais uns trocados nos cuidados de guardar os agasalhos dos chegantes.
Vi-o à distância, do lado de fora, o bigode mais grisalho no seu corpo encurvado, mas solene na sua postura.  A alcatifa vermelha já mostrara  melhores dias, desbotada, assim a vi aquando e sem nada ter a temer me aproximei da porta onde outrora era bem recebido.
Medos do nada, era mais um pelas ruas, no contraponto do dia com a noite, o frio e o quente ou o bem e o mal.
Fiquei por ali encostado à conduta do ar quente que vinha de dentro; estava-se bem e mais tarde viriam migalhas das sobras de mesas fartas do bom e do melhor...
E por momentos assolou a inquietude de aqui estar e tal sacudi.
Não queria lembranças farto de mentiras num mundo construído às avessas.
Estava bem ali, meio acomodado no quente e o pesadelo vem sempre num clique, o fechar da porta, desta e porventuras outras vezes pelo velho Peralta.
Olha em volta sossegado e desce o único degrau. Resmunga que  o tempo está frio, olhando para mim de soslaio sem querer conhecer  ou dar importância a alguém que por ali estivesse, afinal era importante na casa.
O raio do velhote que anos antes me tirava o casaco com mordomia ... quem diria!
- Peralta!
Olhou e retrocedeu numa calma dolente habituada a episódios da noite.
Parecia que a vida o havia preparado para isto, bons e maus momentos e por tal ficou especado , mais hirto e menos corcunda à minha frente, a estudar o possível perigo que poderia enfrentar.
_ Que queres?
Eu nada queria e o que queria ele não me podia dar. Queria o meu tempo de volta,mas esse havia perdido e ele jamais me poderia ajudar se nem sequer me reconheceu, Afinal quem  era eu?
- Nada, Peralta.
Foi então que vejo o Peralta, o velho Peralta meio atordoado se encostar à esquina e pelo seu olhar fuzilante, sentir medo.
- José?
- Sim...


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O LIVRO, O DESAFIO.

Muita gente me pergunta ao longo do tempo, a razão de não expôr as minhas vivências, as solicitudes da vida, as  iniquidades complacentes de um turbilhão de vida.
Tanto que o tenho tentado em meros escritos, dignos, de outra forma  jamais  teria ousadia para...
Medos tenho, em estar á altura para o desafio. Medos por recear abominações malévolas, por des-gentes, mas ciente que vou mexer com muitas coisas.
Conheci muita gente da "alta", desde a igreja, politica e desporto...e seus meandros.
Conheci e vivi com as gentes da minha terra.
Agora sim, vou em frente! 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

RUÇITO, O AMIGO DE FARRUSCO.




A primeira vez que havia visto o puto, ia ele assentado na parte detrás do carro das vacas do seu avô Justino da Miquelina, baloiçando as pernas ao  ritmo dos solavancos ditados pelos buracos do caminho rude que conduzia lá para o cimo da serra de S. Pedro.
Extasiado, assim me pareceu aquando comigo e com meu pai se cruzaram  no Alto dos Pinheiros a puxar para o lado dos Valagotes e tal como nós, iam para as sementeiras.
Atento ao que o rodeava, ele menino da cidade, pareceu-me saber escutar o silêncio apesar de algum espanto que vislumbrei quando a natureza se soltava em gargalhadas da passarada e dos gritos de quem de aguilhada na mão, dava rédea curta aos animais para acautelar uma boa chegada ao destino.
Com o tempo e quando ele vinha de férias, era por ali que o ia encontrando, menos menino e mais afoito, ao ponto de por vezes m acompanhar, serra acima, o que era e é duro, mas via que ele gostava e um dia dei-lhe a conhecer o Farrusco. Acho que este nao gostou, quiçá por ciúmes, mas gradualmente foi-se habituando e fiquei feliz no dia em que os vi a brincar juntos, como duas crianças, mas mais feliz por entender que aos poucos o Farrusco ia  suportando de modo mais leve as suas desgraças, embora sem as esquecer.
Ficaram amigos, ele e o Ruçito.       


Ao seguir deste Natal frio de rachar, e depois do que se havia passado comigo e com o Farrusco, tal com contei no post anterior, veio uma aberta de sol de apenas quase um dia e bom, vou ver se apanho uns míscaros e quem sabe veja como está o meu amigo lá para cima, nas terras de cotovias de dia, de corujas,, lobos,e raposas de noite  e lendas...
Para baixo, nas quebradas, as badaladas do toque do sino  anunciavam o meio-dia de um céu azul intenso a que uns desperdícios brancos de nuvens, aqui e acolá, mais abrilhantavam.
Ele há coisa que por vezes o entendimento não acompanha de forma alguma. Nem a ciência, apenas o coração.
Do lado esquerdo, por debaixo da cadeira do rei e por entre os lameiros e a orla do pinhal, estavam estes dois amigos como que me aguardando com uma cesta de míscaros.
Sim, há coisas...
Acho que eles disseram que era o meu cabaz de natal.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

VAMOS A UM UM CONTO, FARRUSCO?

Tem aquele olhar de companheiro matreiro, atento, mas para mim de tanta meiguice.
A vida o ensinou a ter cautelas depois de tantas mazelas sofridas, essas sim mais que doridas pelas serranias em defesa e na procura do que havia perdido, a família..
Foi assim que o encontrei, era véspera de Natal, quase coberto de neve lá do alto de um penhasco,  olhando de modo ansioso, latindo de modo aflito para baixo, para o povoado...  
Estaria o meu amigo Farrusco em apuros?

  
O Farrusco, foi durante muitos anos o rei das serranias, um garante dos pastores e rebanhos, não havendo lobo que lhe metesse medos e amigo dos seus amigos, cujos olhos espertos não deixavam que fossem muitos por cautelas e não medos.
Aos poucos, fui fazendo parte da sua vida e ficamos amigos, do mesmo modo que os anos nos foram tolhendo e ele,  cada vez menos descendo a serra e eu a subindo ,mas ainda assim lá nos íamos vendo.
Nesse ano calhou o dia de consoada  ter tido durante a noite um nevão e a serra estar coberta de manto branco, mas tinha de cumprir como que sempre havia feito, levar um bom naco de carne e osso, ao meu amigo, afinal são para isso que eles servem, apesar do insólito da nossa amizade.
Fui guiado pelo seu uivar (mais que ladrar) pelo tom desesperado e alucinante que bradava aos céus e por tal eu me guiei para ir ao seu encontro por entre fragas geladas e eis que ele arregala estes olhos, como que dizendo, em boa hora vieste. Uma carícia, um lambe no rosto, ofegante e contente.
Mas eis que quase parece soltar um suspiro, se volta para trás e no sítio mais recatado e abrigado, tipo gruta, se enrodilhavam duas minúsculas crias de raposa cujos pais porventura caçados. as haviam deixado ao abandono e o Farrusco as protegeu das aves de rapina.
Feliz Natal, amigo.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ESCREVEMOS SOBRE O QUÊ, FARRUSCO?

Sei lá, andas meio triste, amigos que perdeste, coisas que comigo passaste...
mas és tu o homem, se bem que sofro mais que tu, ou talvez não, pois tu escondes  coisas que me não contas, ao contrário de mim que sabes toda a minha vida e a narras por aqui, venturas e desventuras que um qualquer as pode ler, chorar ou rir. Mas final quem és tu?

"Porventura tens razão, por coisas que aqui vistes, mais alegres e mais tristes e eu armado em mentor para esconder a dor que tu carregavas demais, basta olhar para trás e ver  que tens passado e eu aos poucos partilhado nesta nossa aventura, amigo.
Este ano vamos celebrar outra vez o Natal juntos, Farrusco?
"Não me ofendas, claro que sim!".

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Pedro, poeta de causas.

Partiste no Outubro quente, boa viagem amigo, estou triste...

Raio do frio que aperta e nos deixa, assim
Quentes e dormentes
Raio da saudade de andar por aí, de leve pé
Descalço
Murmúrios da noite
Em sobressalto
Mitigado nas noites frias
Por ma fogueira
Indigente
Que aquecia a gente
E nos transportava
Por aí...
Quiçá, a gente acorde deste sono
Sem a vida ficar ao abandono.
(XicoAlmeida)

HIBERNAR EN EL TIEMPO LLENO DE RECUERDOS Y VIVENCIAS, CON EL FARRUSCO QUE HA FORMADO PARTE ÍNTEGRA DE NUESTRA INFANCIA. CON ESA BRISA SUAVE QUE IMPREGNA EL SABOR DE ESA ESENCIA QUE QUEDA MATERIALIZADA EN EL AIRE DE AQUELLA ÉPOCA Y LO PODEMOS DISFRUTAR EN NUESTRO PRESSENTE.MEMORIAS QUE TRANSMITEN MARAVILLOSOS MOMENTOS DE CONCENTRACIÓN Y AUTÉNTICA SENSIBILIDAD PASADA Y PRESENTE.
UN ABRAÇO FRATERNAL, XICO.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ai farrusco...



Vai para quatro anos que escrevo para ti.... sobre nós.

Ainda por aqui andámos ao Deus-dará, afinal sempre foi assim, a gosto e desgosto, na nostalgia de não estar perto, mói!
Quando apareço, não me largas e contigo falo quando me acompanhas por vales e montes, que gostas,eu sei.
Amigo, vamos fazer um versito de camaradagem, os dois?
" Eu tenho um amigo
De há tanto tempo
Que digo comigo
Que o tempo não apaga
Venha chuva ou vento
Rajadas do tempo
O que nos agarra

Sempre fui fiel
A quem me cuidou
A tal agradeço
Aquilo que eu sou
Ser um nobre cão
Senão porque não
Aqui estaria
Por ter o meu mestre
Nesta nostalgia

Vai amigo, bem-hajas e bebe um copo por mim...

domingo, 12 de março de 2017

Escritor de sonhos...

Sabes  amigo, estou aqui meio tolo, atordoado a escrever para ninguém,  que a noite se vá vai adiantada. Tomara que passe depressa ,não achas?
Claro que não queres acordar dos sonhos, nossos devaneios e aventuras, mas tu estás velho, tal  como eu.  Corremos um caminho pequeno mas bonito, sempre juntos.


Talvez um dia gente volte, coisa difícil.
Cortaram os políticos a coisa melhor das nossas lembranças, a casa dos nossos avós e aquilo ali semeado. Vale a pena?
Vamos partir, Farrusco e deixamos:

Ouvia, amedrontado varios anos atras pelo que deles contavam, uns assassinos, mas nunca em tais vislumbrei lagrimas. Era por norma escuro e se tais tinham, tais guardavam. Porventura no momento em que os nossos  se acomodavam em suas casas, depois de recolhido e ordenhado o rebanho. Porventura fraco, melhor, mais remediado que o deles que os rebanhos eram escassos e cada vez mais mal nutridos.
Afinal e por tal, a coisa estava equilibrada, se a presatais tinham, tais guardavam. Porventura no momento em que os nossos  se acomoda rareava, o predador ia morrendo de fome...   
ordenhado o rebanho. Porventura fraco, melhor, mais remediado que o deles que os rebanhos eram escassos e cada vez mais mal nutridos.
Afinal e por tal, a coisa estava equilibrada, se a presa rareava, o predador ia morrendo de fome...   

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

HIBERNAR O TEMPO

Por aqui andamos no tempo do pouco tempo
Ajeitados no vento
De memórias  do nada
Fantasias...
Saborosas.

Descendentes de um escritor louco

Por entre misteriosas ruínas


De tantas aventuras e devaneios
Agora mostro o teu rosto


Vamos brincar, diz o Farrusco...

Raio do frio que aperta e nos deixa, assim
Quentes e dormentes
Raio da saudade de andar por aí, de leve pé
Descalço
Murmúrios da noite
Em sobressalto
Mitigado nas noites frias
Por ma fogueira
Indigente
Que aquecia a gente
E nos transportava
Por aí...
Quiçá, a gente acorde deste sono
Sem a vida ficar ao abandono.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ACOMODAR O INVERNO.

Pouco ia restando do estio, não fossem umas varas secas de vides e caruma amontoada nos pinhais, para o estrume. Sobrava um ou outro míscaro bichoso, encontrado por quase desleixo pelas gentes da azeitona. Isso quando no pinhal  e nas veredas dos lameiros batia o sol e este vencia a geada.


O tempo ia arrecadando os seus sortilégios para os meses de carestia pronunciados, fossem eles bons ou maus...as luas tal ditariam, conforme mandava o povo, melhor, a sua sabedoria.
Certo é que como no Natal, um vem atrás do outro.






terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O calor de Natal...

Lindos os amigos do Farrusco, companheiro adorado por mim, e pelos seus iguais.

Por esta altura natalícia, resolveram que devia ser presenteado pelos pares, afinal e quase no fim da vida, tem sido um exemplo de luta e coragem para com os que se seguem...

Por tal aqui trouxe os seus amigos...para ele. A minha prenda: